Laringe eletrônica garante comunicação e qualidade de vida após cirurgia
Perder a voz é uma das consequências mais marcantes enfrentadas por pacientes com câncer de laringe, um dos tumores que integram o grupo dos cânceres de cabeça e pescoço. Durante o Julho Verde, mês dedicado à conscientização sobre a doença, especialistas reforçam que o diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de tratamento e reduz os impactos provocados pelo câncer. Quando a retirada total da laringe é necessária, a reabilitação passa a ser uma etapa fundamental para devolver qualidade de vida.

Pensando nesse processo, o Hospital Evangélico de Vila Velha (HEVV) passou a disponibilizar a laringe eletrônica (foto ao lado) a pacientes do SUS submetidos à cirurgia. O equipamento portátil gera vibrações mecânicas que permitem a produção da voz, com acompanhamento fonoaudiológico para adaptação ao dispositivo.
Para o fonoaudiólogo Lucas Rosas Campelo, o processo vai muito além do uso do aparelho:
“Existe toda uma preparação, um tempo de adaptação e de reconstrução da autoestima. É emocionante acompanhar a evolução e, principalmente, o momento em que o paciente percebe que consegue se comunicar novamente. É um marco na vida deles.”
Uma das pacientes atendidas é Lídia de Souza, 78 anos, que realizou a cirurgia no HEVV e se emocionou ao receber o aparelho:
“Eu achei que nunca mais fosse conseguir falar. Quando liguei a laringe eletrônica pela primeira vez, chorei. Voltei a conversar, a me expressar. É uma benção na minha vida.”
A gerente de Oncologia do HEVV, Karoline de Bôrtoli, destaca o impacto do projeto:
“Devolver a possibilidade de comunicação é devolver autonomia, identidade e qualidade de vida.”
A cirurgiã de Cabeça e Pescoço do HEVV, Dra. Fernanda Marsico, ressalta que a laringe eletrônica representa um avanço importante na reabilitação dos pacientes laringectomizados:
“A perda da voz é uma das consequências mais difíceis. Ter acesso ao dispositivo e ao acompanhamento adequado muda completamente a forma como eles enfrentam o pós-operatório e a vida após o tratamento.”
Além da reabilitação, especialistas reforçam que a prevenção e o diagnóstico precoce continuam sendo as principais ferramentas contra os cânceres de cabeça e pescoço. Sintomas como rouquidão persistente, dificuldade para engolir, feridas na boca que não cicatrizam, nódulos no pescoço e lesões persistentes devem ser avaliados por um médico. Evitar o consumo de cigarro e álcool e manter a vacinação contra o HPV também são medidas fundamentais.




