Cultura e criatividade impulsionam desenvolvimento comunitário e fortalecem economias locais.

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Por Raul Mesquita*

Em Medellín, na Colômbia, a transformação da região Comuna 13 em polo de turismo cultural mostrou ao mundo que periferia não é problema, é potência. Arte e criatividade geraram emprego, renda e pertencimento onde antes predominavam violência e abandono.

No Brasil, o Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, provou que territórios periféricos formam artistas, cineastas e produtores culturais de ponta quando há investimento contínuo. A criatividade que nasce nas bordas da cidade tem uma força original que o mercado tradicional não consegue reproduzir.

No Espírito Santo, essa potência pulsa forte na Região 5 de Vila Velha, onde o território respira cultura popular: congo, hip-hop, renda de bilro, música, artesanato, surf e carnaval. O carnaval da Barra do Jucu movimenta uma cadeia produtiva que gera trabalho para músicos, costureiras, soldadores, marceneiros, seguranças, intérpretes de libras e dezenas de outros profissionais locais.

O Bloco Surpresa, que completou 40 anos, está no centro desse movimento. Na edição de 2026, o CarnaBarra atraiu cerca de 100 mil pessoas ao longo de cinco dias, com programação 100% gratuita, acessível e diversa, incluindo bandas de congo, teatro de rua e área kids. Foram R$ 500 mil injetados por meio de leis de incentivo à cultura, diretamente na economia criativa local, gerando mais de 400 postos de trabalho. A maioria dos fornecedores contratados (80%) é da própria região, fortalecendo a economia comunitária.

Esse modelo prova que a cultura pode protagonizar o desenvolvimento da periferia. A economia criativa não é um conceito distante: acontece nos barracões de alegoria, nos ensaios das bandas de congo, na produção de fantasias, na renda dos artesãos e no trabalho de quem faz a cultura acontecer todos os dias.

O que falta, muitas vezes, é o Estado olhar para esses territórios com o mesmo cuidado que olha para os grandes centros. Porque quando a cultura chega onde o poder público não chega, ela transforma realidades. O território mostra que é possível: com cultura, criatividade e organização comunitária, uma periferia pode se tornar referência.

Por Raul Mesquita – Músico, Empresário e Produtor Cultural